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Efeitos da diabetes na osseointegração de implantes dentários

O aumento da prevalência de diabetes mellitus tornou-se um problema de saúde pública, devido o aumento na morbidade e mortalidade desses pacientes. Na última década, afetou cerca de 140 milhões de pessoas e espera-se que afete mais de 220 milhões em 2012 e mais de 300 em 2025. Embora exista uma relação direta com a doença periodontal (gengivite e periodontite), pouco se sabe sobre os resultados de implantes dentários em diabéticos.
Diabetes Mellitus é uma desordem metabólica caracterizada por um aumento nos níveis de glicose no sangue. Esta hiperglicemia é o resultado de um defeito na secreção de insulina, a ação da insulina, ou ambos. Existem diferenças por tipo de diabetes:
Diabetes meliitus tipo 1 é uma doença auto-imune que afeta as células beta, que produzem insulina no pâncreas. É necessário o uso de insulina exógena para garantir a sobrevivência e para prevenir ou retardar as complicações crônicas da doença. Diabetes mellitus tipo 2, por outro lado, é uma doença multifatorial resultante de efeitos ambientais( idade, obesidade e/ou vida sedentária) em indivíduos geneticamente predispostos. Existe um defeito na produção de insulina. O tratamento consiste em medidas relacionadas com a dieta e estilo de vida, hipoglicemiantes orais isolados ou em combinação, e insulina. O objetivo terapêutico em ambos é a manutenção da glicose no sangue a níveis normais ou quase normal.
O impacto da diabetes em implantes dentários ainda não foi bem esclarecido. A hiperglicemia crônica afeta estruturas de tecidos diferentes, produz um efeito antiinflamatório, conduzindo para a reabsorção óssea, ou seja, ocorre uma inibição na diferenciação das células produtoras de osso e altera a resposta do hormona paratireóide que regula o metabolismo de cálcio e fósforo. Em resumo, a formação de osso é reduzida, o que evidência uma contra-indicação ao tratamento com implantes, visto que inibe o processo de osseointegração (interface implante-osso), além das complicações microvasculares dos tecidos moles, com diminuição da resposta imunitária, ficando predispostos à infecção. Em comparação com a população em geral, há uma maior taxa de insucesso após a cirurgia e durante o primeiro ano de carga funcional.
Recentemente estudos experimentais em animais, direcionados a insulinoterapia, evidenciam que a mesma estimula diretamente a formação óssea em pacientes diabéticos, o que indica que a reabsorção óssea é estritamente relacionada com o controle deficiente da diabetes.
Existem medidas pré-operatórias a fim de assegurar a osseointegração dos implantes, e evitar atrasos na cicatrização do tecido gengival, através do controle glicêmico antes e após a cirurgia de implante. O uso de profilaxia antibiótica antes da cirurgia e o uso de bochechos de clorexidina 0,12%, indicados para o pós-cirúrgico, mostrou-se uma clara vantagem da redução das taxas de insucesso nas cirurgias de implante em pacientes diabéticos do tipo 2.
Portanto há evidências de que a hiperglicemia tem uma influência negativa sobre a formação óssea. Embora, haja um maior risco de falha em pacientes diabéticos, estudos experimentais demonstraram que a otimização do controle glicêmico melhora o grau de osseointegração. No entanto, é necessário alargar o número de estudos prospectivos em humanos, a fim de esclarecer o verdadeiro impacto do diabetes no prognóstico favorável à osseointegração.

Dra. Renata Cléa de Oliveira
Periodontista e Implantodontista CRO 1240
CMO Odontocenter

Renata Cléa


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