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SAÚDE – MAMADEIRA ASSASSINA

A prática do aleitamento materno passou por importantes transformações durante anos, associadas ao processo capitalista.    A grande transformação iniciou-se, porém no século XX, com o declínio acentuado da prática do aleitamento materno. Esta tendência acentuou-se após a 2ª Guerra Mundial, quando o aleitamento artificial adquiriu uma importância significativamente maior. Dentre os fatos, cita-se a industrialização e o aperfeiçoamento das técnicas de esterilização do leite de vaca, as quais propiciaram a produção em larga escala de leites em pó, tendo a mídia totalmente a favor.
A produção de substitutos do leite materno repercutiu em uma queda da incidência e prevalência do aleitamento materno. As mulheres de melhor nível socioeconômico foram as que primeiro abandonaram tal prática. Esse fenômeno, juntamente com o processo de industrialização, alastrou-se pelos países em desenvolvimento, contribuindo para o aumento da mortalidade infantil. Foi a partir dos anos 1970 que se iniciaram esforços em prol do retorno ao aleitamento materno.
O profissional de saúde precisa estar preparado para prestar uma assistência eficaz, solidária, integral e contextualizada, que respeite o saber e a história de vida de cada mulher e que a ajude a superar medos, dificuldades e inseguranças.
No pós-parto imediato, quando as mães colocam seus filhos no colo, percebemos a angústia de diversas mulheres ao não saberem o que fazer com aqueles recém-nascidos que choram, e parece não terem nascido sabendo mamar, é perceptível o comportamento diferenciado da mãe que foi orientada quanto à importância da amamentação.
Enquanto profissionais, temos um papel importante na sensibilização dessa mãe a fim de que entenda todas as consequências do uso do leite artificial. A presença de uma mamadeira nas primeiras horas de vida (mamadeira assassina), dada no berçário irá modificar a resposta imune do paciente, que ao nascer pronto para responder com a produção de anticorpos, irá dar resposta imune via IgE (alérgica) e  podendo  tornar-se portador de alergia alimentar por reação de hipersensibilidade imediata. Os pais precisam entender que a expressão da alergia depende de dois grandes fatores: uma predisposição genética e uma interação ambiental.
Quando é oferecido ao lactente o leite artificial, fatalmente estaremos impedindo que este fenômeno fisiológico da tolerância aos alimentos ocorra e que a introdução deste leite antes da criança completar o primeiro ano de vida é um fator desencadeante para a alergia alimentar.
Sendo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo por seis meses e complementado até os dois anos ou mais. Não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança.

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Dr. Isaac Tenório
Médico – Clínica São Carlos

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